Livros 12.17

Amanhã já é natal? Calma, calma. Sei que dezembro é o mês mais corrido do ano, mas ainda faltam 20 dias. Tempo suficiente para fazer uma listinha de desejos para 2018, aquele ano em que as coisas vão ter que funcionar ou não funcionarão mais, e comprar os presentes que o bom velhinho irá distribuir. Para este segundo item nada melhor do que livros, books e mais livros. Confira, a seguir, os lançamentos mais interessantes para a data.

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Lançamentos de dezembro para ficar de olho (@)

PARA REFLETIR

O que aconteceria caso Platão ressuscitasse nos nossos tempos? É esta a pergunta que a filósofa americana,  Rebecca Goldstein, propõe no livro “Platão no Googleplex”, da editora Civilização Brasileira. O próprio título já explicita uma questão importante para o novo mundo que é o Google e a ideia de que o conhecimento pode ser obtido em massa, bem diferente do período grego.

De uma época muito distante do que nosso moderno WhatsApp, vem o segundo lançamento, o livro “Cartas Brasileiras – Correspondências Históricas, Políticas, Célebres, Hilárias e Inesquecíveis que Marcaram o País”, da Companhia das Letras. O jornalista Sérgio Rodrigues selecionou 80 cartas que remontam parte da nossa trajetória como país. Como correspondências de D. Pedro I, Santos Dumont, Olga Benário e Chico Buarque. Uma leitura no mínimo diferente para o nossa época de pouca reflexão.

PARA CONHECER

Por pura ignorância mesmo, desconhecia um dos artistas mais fundamentais para a Tropicália e da contracultura brasileira dos anos 60, o Torquato Neto, que acaba de completar 45 anos de morte. É ele o autor das canções “Aqui é o fim do Mundo”, “Dia D” e “Geleia Geral”, todas interpretadas por Gilberto Gil. E, para comemorar a data, o crítica literário Italo Moriconi organizou uma amostra do trabalho deste poeta piauiense no livro “Torquato Neto – Essencial”, da editora Autêntica.

E mais uma obra biográfica para nossa lista de sugestões. A da monja, poeta e intelectual Sor Juana Inés de la Cruz, que desempenhou um papel muito importante na defesa dos direito às mulheres em terem acesso ao conhecimento, no século XVII. A mexicana teve sua biografia “Sor Juana Inés de la Cruz ou as armadilhas da fé” escrita por Octavio Paz, publicada em 1982 e, agora, reedita pela Ubu. Além disso, a personagem histórica ganhou uma série própria no Netflix, Juana Inês. E para quem já quiser conhecê-la, fica a dica do texto Resposta a Sor Filotea de la Cruz.

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E mais algumas sugestões.

PARA VIAJAR

Em 1.024 páginas, do livro inédito de Ariano Suassuna “Romance de Dom Pantero no Palco dos Pecadores”, da editora Nova Fronteira, composto por cartas assinadas pelo personagem Antero Savedra sob o pseudônimo de “Dom Pantero”. Assim é contada a trajetória de um misto de escritor, ator, encenador, professor e palhaço, o Savreda ou um pseudônimo de Suassuna, que dedica sua vida à realização de uma grande obra, intitulada “A Ilumiara”.

A outra indicação é a do livro “O mestre e Margarida”, de Mikhail Bulgákov, publicado pela editora 34. A obra é considerada um dos grandes romances do século XX e uma espécie de Fausto russo, inspirado em Goethe. Situado em Moscou nos anos 30, são narradas as peripécias de satã acompanhado de um séquito infernal, composto por um gato falante, um intérprete trapaceiro, uma bela bruxa e um capanga assustador.

PARA CONTESTAR

Manifestantes em frente ao Sesc Pompeia queimaram uma boneca que a representava com gritos de morte à bruxa, enquanto carregavam crucifixos empunhados, em novembro deste ano. Por isso, qualquer sinônimo de contestação precisa, necessariamente, envolver a filósofa Judith Butler. Ela que acaba de lançar um novo livro pela editora Autêntica, “A vida psíquica do poder: Teorias da sujeição”. A obra faz uma investigação crítica sobre o processo de formação do sujeito e como o poder produz subordinados, ambas questões fundamentais para nossa atualidade.

Nessa onda de questionamentos pré-estabelecidos, resgato uma obra de 2016. O livro “Teoria King Kong”, de Virginie Despentes, pela editora N-1 edições. O texto é um manifesto de um novo feminismo e indicado, desde o prefácio, para “todas as mulheres que não se enquadram, mas também de todos os seres que fogem de estereótipos”. É acima de tudo sobre questionamentos e sobre a energia necessária para seguir adiante em tempos difficiles.

 

 

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